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Cientistas descobrem roubo de DNA em bactérias


Como as bactérias matam os concorrentes para alcançar sua resistência

Bactérias predatórias - parece um cenário sombrio de ficção científica, mas um estudo do Biozentrum da Universidade de Basileia documentou que esse comportamento é real nas bactérias. A equipe de pesquisa liderada pelo professor Marek Basler mostra no estudo que as bactérias não apenas desenvolvem resistência aos antibióticos, mas também podem roubar outras bactérias com a ajuda do veneno. Os resultados foram publicados na revista "Cell Reports".

Os pesquisadores foram capazes de documentar como algumas bactérias injetaram seus concorrentes com um coquetel de veneno, o que os fez explodir. Os atacantes então pegaram o material genético que se tornara disponível. Dessa forma, a Universidade de Basileia disse em um comunicado à imprensa que as bactérias podem coletar resistência sem treiná-las. O vencedor do ataque bacteriano poderia então se multiplicar sem ser perturbado. Esse mecanismo é particularmente problemático em hospitais, onde circulam numerosos germes e são utilizados vários antibióticos, aos quais a resistência é, portanto, mais comum.

Bactérias multirresistentes podem ser fatais

Se essas bactérias multirresistentes se multiplicarem sem perturbações, elas podem se tornar um perigo mortal para os pacientes, porque os antibióticos não funcionam mais. Segundo os pesquisadores da Universidade de Basileia, esse desenvolvimento é algumas vezes uma conseqüência do uso frequente e muitas vezes descuidado de antibióticos. O uso desnecessário de antibióticos contribui para o fato de que a resistência está se espalhando cada vez mais rápido.

O germe iraquiano como exemplo de multirresistência

A bactéria Acinetobacter baumannii é um germe hospitalar típico. Na guerra do Iraque, bactérias multirresistentes desse tipo causaram infecções de feridas difíceis de tratar em soldados americanos. É por isso que esta bactéria é coloquialmente chamada de "germe iraquiano". O organismo modelo do estudo foi o Acinetobacter baylyi, um parente próximo do germe iraquiano. No estudo, a equipe do professor Marek Basler identificou cinco proteínas venenosas, os chamados efetores, que agem de maneira diferente. "Algumas dessas proteínas tóxicas matam o inimigo com muita eficácia, mas não destroem a célula", explica Basler. Outras proteínas tóxicas danificariam apenas o envelope celular a tal ponto que a bactéria atacada explode e o material genético escapava.

O que acontece após a invasão de venenos?

Segundo o estudo, o agressor ingeriu fragmentos de DNA após um ataque bem-sucedido. Se houver genes nos fragmentos responsáveis ​​por uma certa resistência, o novo proprietário também se tornará resistente. Como resultado, um antibiótico ao qual a resistência foi desenvolvida não é mais eficaz e o germe pode se reproduzir em grande parte sem ser perturbado.

Multi-resistência também com agentes infecciosos

"Um conjunto de diferentes efetores também pode ser encontrado em outros agentes infecciosos, como o patógeno da pneumonia ou o patógeno da cólera", diz Basler. No entanto, nem todas as proteínas venenosas funcionariam igualmente bem, uma vez que muitas bactérias desenvolveram ou adquiriram antídotos, as chamadas proteínas imunes. As proteínas de imunidade dos cinco efetores documentados no estudo também foram identificadas. Fazia sentido para os atacantes não apenas produzir uma única proteína venenosa, mas um coquetel de várias toxinas com diferentes modos de ação. "Isso aumenta a probabilidade de que o oponente possa ser eliminado com sucesso e, em alguns casos, que o DNA da célula também fique disponível", explica Basler. fp)

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Vídeo: AULA 04 - Genética bacteriana PARTE I (Janeiro 2022).